08.OUT.2015

 

Hora: 22h30

Local: Tenda – Parque Aquilino Ribeiro

Público Geral

Entrada: 4 € (inclui entrada para os dois espetáculos da noite)

[Classificação: Música]

 

SINOPSE

Inquiétude resulta da aprendizagem que decorreu dos dois anos que (Filipe Raposo) passou em Estocolmo. Da sua residência como compositor e músico mas também como ser humano, da aprendizagem que advém da adaptação a uma nova realidade, a uma nova luz e silêncio. Do desassossego da criação nasceu o primeiro gesto e dele, o som. Das paisagens que se confundem entre o norte brumoso de dias brancos e noites eternas, e o sul quente do atlântico nasceu um diálogo que se reflete nas composições que são fruto da busca de novos caminhos de composição e expressão. Como em todas as viagens, os cúmplices na descoberta de novas paisagens (mesmo as sonoras) são essenciais, a sua presença generosamente contribui para desvendar uma inesperada partitura sonora. Fica o disco como resultado da descoberta, convite para ouvir Inquiétude e partilhar a viagem entre Norte e Sul, entre o branco e o ocre, entre o silêncio e a escolha de o interromper. E no fim, renova-se o convite para regressar ao princípio, partindo a cada de vez como se fosse a primeira.

 

Notas sobre o disco por João Paulo Esteves da Silva e Mário Laginha

Jazz. Não estava a contar utilizar a palavra quando o Filipe me pediu para escrever sobre este «Inquiétude»; escrevo, para já, sob o efeito da surpresa. Conhecendo os trabalhos anteriores, estaria agora à espera de mais uma daquelas belas viagens, a partir do jazz, e digo jazz nos seus aspectos formais como a instrumentação, os modos de relacionamento entre os músicos na performance ou a própria estrutura musical (alternância de tema escrito com variações improvisadas, por ex.) – rumo a paisagens mais ou menos distantes e eventualmente, quem sabe, mais próximas dele, Filipe Raposo, português de ouvidos atentos ao mundo… mas neste disco ouvi também a viagem inversa, e foi o que me surpreendeu. As coisas vão aqui, intencionalmente, em direcção ao jazz no seu sentido mais inequívoco enquanto história e tradição. É claro que se ouvíssemos, isoladamente, o tema título «Inquiétude» ou «Moda do Entrudo», por exemplo, poderíamos falar da música, pessoal, do Filipe, deixando o jazz, subentendido. Mas, no seu todo, o disco como que parte à redescoberta duma América musical ainda desejada e almejada. É claro que o enquadramento académico do projecto explicará em parte o fenómeno: o disco integra-se numa tese de mestrado em Jazz Performance; mas este enquadramento não garante o amor que transpira da empresa e, no caso, creio que o que se está a passar com o Filipe em tempos que correm será mesmo uma história de amor pelos grandes mestres americanos do jazz, com a consequente vontade de criar laços, raízes, mais fortes com a música deles.

(by João Paulo Esteves da Silva)

 

Quando oiço um disco, aquilo que procuro, antes de mais, é ter prazer em ouvi-lo. Não sou, portanto, diferente da larga maioria das pessoas. Já aquilo que nos dá prazer varia de pessoa para pessoa. E ainda bem. O Jazz sempre caminhou bebendo influências nas mais variadas partes do mundo, o que faz dela uma música sempre viva, de grande riqueza e diversidade. O modo como se usam essas influências determina, muitas vezes, se um músico tem realmente uma personalidade musical, ou se simplesmente repete ou cola a música que escutou e estudou ao longo da sua vida. Filipe Raposo pertence ao primeiro grupo. A sua música não esconde as influências, mas tem uma identidade. Lírica e de uma contenção serena, com uma riqueza melódica e harmónica muito sedutoras, a sua música convida-nos a ficar. Os temas são inspirados e nunca meros pretextos para solos. Com Andy Yeo, na guitarra, Samuel Löfdahl no baixo, Karl-Henrik Ousbäck na bateria e Fredrik Liungkvist no saxofone, Filipe Raposo fez um belíssimo disco. Uma serena “Inquietude”.

(by Mário Laginha)

 

FICHA TÉCNICA

Piano, Keyboard: Filipe Raposo

Electric Guitar, Voice: Andy Yeo

Double Bass: Samuel Löfdahl

Drums: Karl-Henrik Ousbäck